10 setembro 2009

Psoríase, doenças vasculares e mortalidade

A psoríase é uma doença relativamente frequente com frequência de 2% a 3% da população mundial. Estima-se que existam 7 milhões de norte-americanos e 125 milhões de pessoas em todo o mundo afectados por esta condição. Mais recentemente se compreendeu que se trata de uma doença inflamatória sistémica, tal como outras desordens semelhantes, tal como o lúpus eritematoso sistémico.

Já se sabe que os pacientes com psoríase apresentam um risco maior para a ocorrência de eventos cardiovasculares, e que esta relação parece funcionar como um factor de risco independente para a ocorrência de enfarto do miocárdio. Por estas razões, pesquisadores norte-americanos realizaram uma pesquisa com o objectivo de determinar o risco para doenças vasculares (coronariana e periférica) entre os pacientes com diagnóstico de psoríase. O estudo foi publicado no número de Junho do Archives of Dermatology.

Os autores, liderados pelo Dr. Srjdan Prodanovich do Departamento de Dermatologia e de Cirurgia da Pele da University of Miami Miller School of Medicine, comentaram que “apesar da maior ênfase aos riscos cardiovasculares, a aterosclerose é uma doença sistémica. Logo, parece razoável admitir que se o risco de enfarto do miocárdio é maior entre estes pacientes, seu risco para a ocorrência de acidente vascular encefálico e de doença oclusiva arterial periférica também o seja”.

Além disso, segundo os autores, o acidente vascular encefálico é a principal causa de óbito entre este grupo de indivíduos e 15 a 30% daqueles que conseguem sobreviver a este grave evento vascular permanecem incapacitados de modo permanente. Por estas razões, prosseguiram os autores, “neste estudo decidimos avaliar o quanto a psoríase esteve associada, não apenas com a ocorrência de doença coronariana, mas também com a quantidade total de aterosclerose, inclusive com as doenças cerebrovasculares e com a doença arterial periférica”.

Os pesquisadores realizaram um estudo observacional, retrospectivo, com base nos registos médicos de todos os pacientes diagnosticados com psoríase no período entre Janeiro de 1985 e Dezembro de 2005 no Miami VA Medical Center.

Ao todo foram recuperados os dados de 3236 pacientes e 2500 controles, sem o diagnostico de psoríase, que foram seleccionados de maneira aleatória. Com base na Classificação Internacional De Doenças (CID), foi comparada a prevalência destas doenças vasculares entre os pacientes com psoríase e os pacientes pertencentes ao grupo controle. O teste estatístico utilizado pelos pesquisadores foi o qui quadrado.

Tal como nos estudos anteriores foi encontrada uma prevalência semelhante de diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial e tabagismo entre os pacientes com psoríase. Após o controle destas variáveis foi constatado entre os pacientes com psoríase – em comparação com o grupo controle – uma elevação no risco de doença coronariana isquêmica (odds ratio [OR] de 1,78; intervalo de confiança [IC] de 95%, 1,51 – 2,11), de doença cerebrovascular (OR de 1,70; IC de 95%, 1,32 – 2,17).

O risco de doença vascular periferia também foi maior entre os pacientes com psoríase, em comparação com os indivíduos do grupo controle (OR de 1,98. IC de 85%, 1,33 – 2,17). Com relação à mortalidade em geral, a psoríase se mostrou ser um factor de risco independente (OR de 1,86; IC de 95%, 1,56 – 2,21).

Os autores comentaram que “os pacientes com psoríase apresentam uma prevalência maior não apenas de doença coronariana, mas também de doenças vasculares periféricas e de doenças cerebrovasculares”. E complementam afirmando que “estes resultados não são surpreendentes devido à natureza sistémica da aterosclerose”.

Segundo os pesquisadores, estes dados apontam para a necessidade de uma maior compreensão destas relações, uma vez que as doenças vasculares apresentam um grande potencial de morbilidade e mortalidade, além de representar um grande custo aos sistemas de saúde.

Segundo eles, os ensaios clínicos de natureza prospectiva, no futuro, devem dedicar uma atenção maior a estas relações para que possamos compreender melhor esta inter-relação: “a medida que a relação entre a psoríase e o desenvolvimento de aterosclerose está se tornando mais clara, esperamos que os próximos estudos possam ser capazes de responder a esta infinidade de perguntas, que estão vindo à tona a partir desta descrição”.

Os pesquisadores concluem que “este esquema alternativo de administração da decitabina provou possuir um beneficio clínico para uma parcela significativa de pacientes que apresentam síndrome mielodisplásica, e pode ser administrado seguramente em um contexto ambulatorial. A eficácia e segurança do esquema terapêutico são comparáveis às encontradas entre os pacientes submetidos ao esquema aprovado pelo FDA para administração nos pacientes internados. Além disso, a administração ambulatorial é mais confortável aos pacientes”.